LUZ, SAÚDE E AÇÃO:  a iluminação como fonte integral dos cuidados diários

LUZ, SAÚDE E AÇÃO: a iluminação como fonte integral dos cuidados diários

“Nada como um dia após o outro”, “Deus ajuda quem cedo madruga”, “acordar e dormir com as galinhas”. Expressões como essas atravessam gerações e revelam algo profundamente humano: a relação histórica entre o corpo, o tempo e a luz. Muito antes dos relógios, da eletricidade e das rotinas aceleradas das cidades contemporâneas, era o nascer e o pôr do sol que organizavam a vida cotidiana. A claridade anunciava o momento de despertar, trabalhar, conviver e permanecer alerta; a escuridão, por sua vez, convidava ao descanso, ao recolhimento e ao sono.

Ao longo da evolução humana, o organismo desenvolveu-se em íntima conexão com os ciclos naturais do ambiente. A luz solar não apenas iluminava os caminhos, mas também regulava funções biológicas essenciais para a sobrevivência. É nesse contexto que atuam os chamados “genes relógio” (clock genes), estruturas responsáveis por coordenar o funcionamento do metabolismo, da produção hormonal, do humor, do sistema imunológico e de diversos processos neurológicos [1]. Em outras palavras, o corpo humano opera em sintonia com ritmos biológicos diretamente influenciados pela luz. 

“Toda experiência comovente com a arquitetura é multissensorial […] Em vez de mera visão, ou dos cinco sentidos clássicos, a arquitetura envolve diversas esferas da experiência sensorial que interagem e se fundem entre si”.

(Pallasmaa, 2011, p. 61)

Por isso, quando se fala em iluminação — especialmente no contexto das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) — não se trata apenas de proporcionar visibilidade ou conforto visual. Fala-se sobre saúde, qualidade do sono, orientação espacial, cognição, segurança, bem-estar emocional e qualidade de vida. A luz influencia diretamente a maneira como as pessoas percebem, interpretam e experienciam o ambiente ao seu redor.

Dizer que “luz é vida” está longe de ser apenas uma metáfora. Durante séculos, a iluminação dependia quase exclusivamente da ação humana, por meio de velas, tochas, lamparinas e lanternas. No entanto, os avanços científicos e tecnológicos da atualidade permitem compreender que os efeitos da iluminação vão muito além da simples capacidade de enxergar.

Essa compreensão torna-se ainda mais importante quando se considera o envelhecimento humano. Com o avanço da idade, ocorrem diversas alterações fisiológicas que impactam diretamente a percepção visual e a forma como as pessoas idosas interagem com os ambientes construídos. Essas mudanças não envolvem apenas redução da visão, mas transformações mais complexas relacionadas ao funcionamento ocular, neurológico e perceptivo [2].

Entre essas alterações, destaca-se a diminuição gradual da transparência do cristalino, estrutura ocular responsável pela focalização da luz [2]. Como consequência, menos luminosidade alcança a retina, fazendo com que a pessoa idosa necessite de maiores níveis de iluminação para realizar atividades simples com conforto e segurança. Paralelamente, ocorre redução da sensibilidade ao contraste, dificultando a distinção entre cores, superfícies, degraus, mobiliários e obstáculos presentes no ambiente [2].

Outro aspecto relevante refere-se à maior sensibilidade ao ofuscamento [2]. Fontes luminosas intensas, reflexos excessivos e iluminação mal distribuída podem provocar desconforto visual, desorientação espacial e insegurança durante os deslocamentos. Além disso, o envelhecimento torna mais lento o processo de adaptação entre ambientes claros e escuros, aumentando significativamente o risco de quedas, especialmente em corredores, escadas, banheiros e áreas de circulação [2].

As mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento também afetam diretamente o ritmo circadiano — sistema biológico responsável pela regulação do sono, da vigília, da produção hormonal, da temperatura corporal e dos estados de alerta [2]. Com a idade, o organismo passa a interpretar de maneira menos eficiente os estímulos luminosos naturais, sobretudo em razão da diminuição da entrada de luz azul na retina e da redução da produção de melatonina, hormônio essencial para a organização do popularmente intitulado “ciclo sono-vigília” [2].

Essas alterações tornam as pessoas idosas mais suscetíveis a sono fragmentado, despertares noturnos frequentes, sonolência diurna, irritabilidade, fadiga e redução do desempenho cognitivo. Em indivíduos com doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer e outras demências, tais impactos tendem a ser ainda mais intensos [3].

Nesse cenário, a iluminação deixa de ser apenas um componente técnico da arquitetura e passa a assumir papel terapêutico dentro das ILPIs. Mais do que iluminar espaços, ela pode contribuir diretamente para a promoção da saúde e para a qualidade do cuidado.

As estratégias mais eficazes atualmente estão associadas ao conceito de iluminação integrativa (Integrative Light) ou iluminação centrada no ser humano (Human Centric Lighting) [4]. Essa abordagem considera tanto os efeitos visuais quanto os efeitos não visuais da luz sobre o organismo, conforme a Figura 01 e a Figura 02, respectivamente.

 

Figura 01. Efeitos visuais da luz sobre o organismo. Fonte: Elaborado pelo autor (2026).

 

Figura 02. Efeitos não visuais da luz no organismo. Fonte: Elaborado pelo autor (2026).

 

Do ponto de vista visual, recomenda-se a utilização de ambientes com iluminação homogênea, níveis adequados de iluminância e controle eficiente dos contrastes. A distribuição uniforme da luz reduz áreas de sombra intensa e favorece a orientação espacial das pessoas idosas. Ambientes excessivamente escuros ou com variações bruscas de luminosidade tendem a aumentar a insegurança, a confusão perceptiva e o risco de acidentes [4].

Entre as estratégias mais importantes está a valorização da luz natural. A exposição diária à iluminação solar auxilia na sincronização do ritmo circadiano, favorecendo maior estado de alerta durante o dia e melhor qualidade do sono à noite. Nesse sentido, medidas simples fazem grande diferença: manter janelas desobstruídas, utilizar cortinas leves e organizar espaços de convivência próximos às áreas mais iluminadas da instituição [4].

A iluminação elétrica também deve acompanhar os diferentes momentos do dia. Durante a manhã e o início da tarde, recomenda-se a utilização de luzes mais intensas e de tonalidade mais fria, capazes de estimular atenção, disposição e orientação temporal. Já no período noturno, o ideal é optar por luzes mais suaves, indiretas e com temperaturas de cor mais quentes, reduzindo estímulos excessivos ao organismo e favorecendo o relaxamento fisiológico [4].

O controle do ofuscamento representa outro cuidado essencial. Luminárias mal posicionadas, reflexos em superfícies brilhantes e fontes luminosas diretamente visíveis podem gerar desconforto e desorganização perceptiva. Por isso, o uso de iluminação indireta, difusores e materiais com acabamento fosco contribui significativamente para maior conforto ambiental [4].

Além disso, a instalação de “luzes-guia” noturnas em corredores, quartos e banheiros constitui uma estratégia simples e extremamente eficaz, conforme verificado na Figura 03. Pequenos pontos luminosos de baixa intensidade auxiliam nos deslocamentos noturnos com segurança, sem interferir significativamente na produção de melatonina ou na qualidade do sono [5].

 

 

Figura 03. Estratégias de distribuição e controle da iluminação natural e elétrica em situações cotidianas. Fonte: Elaborado pelo autor (2026).

 

As intervenções luminotécnicas também precisam considerar as especificidades funcionais dos residentes. Pessoas idosas com comprometimentos cognitivos maiores frequentemente apresentam dificuldades de orientação espaço-temporal, alterações perceptivas e maior sensibilidade às condições ambientais [5].

Em indivíduos com demência, ambientes mal iluminados podem intensificar sintomas como ansiedade, agitação, irritabilidade, confusão mental e episódios de desorganização comportamental, especialmente no final da tarde — fenômeno conhecido como “sundowning”. Em contrapartida, ambientes com iluminação adequada tendem a favorecer maior estabilidade emocional, redução da agitação psicomotora e melhora da orientação temporal [6].

Pesquisas nas áreas da gerontologia ambiental, neurociência e envelhecimento demonstram que a exposição adequada à luz, conforme ilustrada na Figura 04, pode contribuir para melhora do humor, maior participação em atividades, preservação funcional e redução de alterações comportamentais associadas às demências [3].

 

Figura 04. Períodos adequados de exposição à luz solar e à iluminação elétrica sincronizados às atividades básicas e instrumentais da vida diária dos residentes de ILPIs.
Fonte: Elaborado pelo autor (2026).

 

Os benefícios também são expressivos para pessoas idosas sem declínio cognitivo significativo. Ambientes adequadamente iluminados favorecem autonomia, segurança, desempenho nas atividades de vida diária, conforto visual e preservação das capacidades cognitivas. A iluminação adequada auxilia na leitura, na alimentação, na mobilidade e na interação social, reduzindo o esforço visual e a fadiga [3].

Além disso, a regulação mais eficiente do ritmo circadiano está associada à melhora da qualidade do sono, maior disposição ao longo do dia, redução de sintomas depressivos e melhor funcionamento cognitivo global [3].

Os impactos positivos da iluminação integrativa, entretanto, não se restringem aos residentes. Profissionais, cuidadores e equipes de gestão também são diretamente beneficiados por ambientes mais equilibrados do ponto de vista luminoso. Espaços adequadamente iluminados tendem a favorecer maior estado de alerta, redução da fadiga ocupacional, melhora do humor e maior qualidade nas interações de cuidado [3].

Dentro das ILPIs, a iluminação deve ser compreendida como parte integrante dos cuidados diários e não apenas como um elemento decorativo ou técnico. O ambiente construído influencia diretamente o comportamento, o bem-estar emocional, a funcionalidade e a saúde cognitiva das pessoas idosas.

Assim, investir em estratégias luminotécnicas adequadas significa investir em promoção da saúde, prevenção de agravos, segurança e dignidade no envelhecimento. Mais do que iluminar ambientes, trata-se de construir espaços capazes de acolher, orientar, proteger e favorecer uma experiência de envelhecimento mais humana e saudável.

 

Referências

[1]: SU, Y. et al. Progress in understanding how clock genes regulate aging and associated metabolic processes. Frontiers in Physiology, v. 16, 23 set. 2025.

[2]: FIGUEIRO, M. G. et al. Long-Term, All-Day Exposure to Circadian-Effective Light Improves Sleep, Mood, and Behavior in Persons with Dementia. Journal of Alzheimer’s Disease Reports, v. 4, n. 1, p. 297–312, 1 jan. 2020.

[3]:  ALBUQUERQUE, C. F. H. Iluminação integrativa aplicada em Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas com Demência: uma revisão integrativa de literatura. Revista Infinity, v. 10, n. 1, p. 56–78, 2026.

[4]: FIGUEIRO, M. G.; KALES, H. C. Lighting and Alzheimer’s disease and related dementias: Spotlight on sleep and depression. Lighting Research & Technology, v. 53, n. 5, p. 405–422, 20 jul. 2021.

[5]: ALBUQUERQUE, C. F. H. Arquitetura Hospitalar Sensível à Demência. Revista IPH – Instituto de Pesquisas Hospitalares, v. 20, n. 1, p. 67–93, 2019.

[6]: LINANDER, C. B. et al. The effect of circadian-adjusted LED-based lighting on sleep, daytime sleepiness and biomarkers of inflammation in a randomized controlled cross-over trial by pragmatic design in elderly care home dwellers. Archives of Gerontology and Geriatrics, v. 91, p. 104223, 1 nov. 2020.

 

Livro recomendado para leitura

PALLASMAA, J. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011.

Memória autobiográfica fortalece identidade e protege saúde mental dos idosos

Memória autobiográfica fortalece identidade e protege saúde mental dos idosos

Iniciativa do Cora Premium Residencial Senior transforma histórias de vida em ferramenta de cuidado e bem-estar. No mês de março, o Rio de Janeiro celebrou 461 anos. Na mesma data, no Cora Premium Residencial Senior, Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) localizada na capital fluminense e pertencente à BSL Saúde, a comemoração ganhou um significado ainda mais profundo: transformar lembranças da cidade em ferramenta de cuidado e bem-estar emocional. A proposta da equipe foi estimular residentes a compartilhar suas memórias mais marcantes da Cidade Maravilhosa. O resultado foi um momento de relatos afetivos, risos, emoção e identidade reafirmada.

“Quando o idoso relembra sua história, ele reafirma quem é, como se fosse a continuidade do selfie graças à conexão entre passado e presente. Ele deixa de ser apenas alguém que envelheceu e volta a ser protagonista da própria trajetória. Isso fortalece identidade, pertencimento e autoestima”, explica a gerontóloga Ana Julia Marinho, do Cora Premium.

    Mais do que uma atividade comemorativa, a iniciativa tem base científica. Um estudo piloto publicado em 2025 avaliou os efeitos de uma intervenção de reminiscência estruturada (Remember-ME) em adultos idosos que vivem em comunidade. A pesquisa mostrou que o programa melhorou a qualidade subjetiva da memória autobiográfica, aumentou a satisfação com a vida e reduziu o sentimento de solidão. Isso evidencia que praticar a evocação de lembranças não apenas reforça a memória, mas também melhora marcadores importantes de saúde mental em idosos.

A rua sem saída que virou mundo

Entre os relatos mais emocionantes esteve o de Nair Souza, 86 anos. Natural de São Paulo, ela chegou ao Rio ainda jovem, com quatro filhos pequenos. “Eu vim de São Paulo e minha chegada foi na Tijuca, com meus filhos ainda pequenos. Era uma rua sem saída, a João da Mata. Uma casa aconchegante, cheia de crianças. Meus filhos brincavam o dia inteiro entre si e com as crianças vizinhas”, relembra. Nair fala com brilho nos olhos das festas juninas organizadas pelos moradores. “A gente levantava barracas, tinha conjunto musical, todo mundo participava. Era uma delícia. Foi o lugar que mais marcou a minha vida.” As lembranças seguem pelas paisagens da cidade. “Quando subi o Corcovado fiquei emocionada. Que coisa maravilhosa aquela vista! E as praias são as coisas mais lindas que já vi. Na minha época não tinha tanto prédio, parecia tudo mais mágico. A Quinta da Boa Vista, o Jardim Botânico também são lugares que eu amo e indico para visitas. Eu levava meus filhos, eram passeios inesquecíveis”, conta Nair, revivendo sentimentos.

De Portugal à Favela do Esqueleto

Para Joaquim Martins, 88 anos, o Rio de Janeiro é o local onde ele e sua família prosperaram. Português, chegou ainda jovem, aos 17 anos, para morar com um tio na então Favela do Esqueleto. A comunidade existiu até o início da década de 1960, no local onde hoje se encontra a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no bairro do Maracanã, na zona Norte do Rio. “Era tudo muito simples. A gente morava na favela e eu trabalhava ora no botequim do meu tio, na Rua Dias da Cruz, número 100 (Méier), ora na feira com barraca de bananas. Nossa vida era simples, mas feliz”, Joaquim fala com carinho da trajetória construída na cidade junto com seus familiares e se orgulha de vivenciar as belas paisagens diariamente. “É como diz a música: o Rio continua lindo. Eu aprecio todas as coisas, as belezas do Rio. Nenhuma cidade do Brasil tem o que o Rio tem: Pão de Açúcar, Corcovado, o próprio Maracanã, só o Rio mesmo!” Para Ana Julia Marinho, esses relatos reforçam como o vínculo com o território ajuda a sustentar identidade ao longo do envelhecimento. “Relembrar experiências traz o senso de quem a pessoa foi e bons sentimentos. Quando estimulamos essas memórias, fortalecemos autoestima e reduzimos sintomas depressivos. Não é só lembrar, é reconectar a pessoa com sua própria história.”

Memória como cuidado

Iniciativas como essa mostram que o cuidado vai além do acompanhamento clínico. Estimular narrativas pessoais, celebrar datas significativas e valorizar trajetórias individuais tornam-se estratégias terapêuticas. “No aniversário do Rio, celebramos também as histórias que construíram essa cidade. Cada residente aqui é parte viva dessa memória coletiva”, afirma a gerontóloga. Recordar ativamente experiências pessoais, especialmente positivas e com significado afetivo, pode ser uma estratégia eficaz para apoiar a saúde psicológica em idosos. Ao estimular a memória autobiográfica, há uma conexão mais forte com a própria identidade, com o sentimento de continuidade da vida e com laços sociais, o que contribui para reduzir aspectos como solidão e tristeza, fatores que podem estar relacionados à depressão nessa fase da vida.   Quem assina este texto: Andressa Marques – Jornalista

Você já escovou seus dentes hoje?

Você já escovou seus dentes hoje?

Você já escovou seus dentes hoje? Já usou o fio dental? Ou está neste momento chupando uma bala ou um chiclete de hortelã para disfarçar o bafo de onça?

Você já pagou bem caro por um tratamento dentário e depois de três ou quatro anos teve cáries novamente ou perdeu implantes dentários, por exemplo?

Leitor querido, este artigo tem o objetivo de provocá-lo no que se refere ao autocuidado em saúde bucal e a cuidados que oferecemos a pacientes dependentes.

Um dos meus maiores desafios no dia a dia é “convencer” cuidadores da importância da higiene bucal. Cáries, inflamação gengival, mau hálito, candidíase e perda de dentes são os problemas mais comuns na cavidade bucal. E sua prevenção é simples: hábitos de higiene. E não nos faltam artifícios para isso: temos uma gama de escovas, pastas, fios e fitas, e bochechos.

 

Escovas macias são as mais recomendadas porque, além de limpar os dentes, também limpam e massageiam a gengiva. E temos as interdentais indicadas para próteses onde os dentes estão grudados ou quando os dentes apresentam separações grandes, onde o fio ou a fita “dançam”, sem conseguir limpar o espaço de forma adequada.

 

Sobre a gama de bochechos existentes, vale lembrar que para serem efetivos, devem ter indicações específicas para cada tipo de problema bucal: inflamação gengival (geralmente antinflamatórios ou à base de clorexidina), cáries (bochechos à base de flúor) ou boca seca (bochechos para hidratação).

Para pacientes dependentes há escovas de dentes elétricas e abridores de boca. Estes últimos são bastante úteis para proteger cuidadores de mordidas ou movimentos involuntários de abertura e fechamento da boca.

Muito bem, hábitos saudáveis são presentes que damos a nós mesmos todos os dias: e vão desde tomar água, evitar doces, fumo e fazer atividade física. E para a saúde bucal não é diferente.

 

Uma ideia que dou aos pacientes e aos cuidadores é associar a higiene bucal a algo da rotina. Podemos associar o escovar dos dentes ao término do banho, de manhã ou à noite. Durante o dia pode-se associar ao término de uma refeição.

 

E, automaticamente, quando cuidamos de nós, conseguimos cuidar do outro.
Estudos mostram que crianças com problemas bucais tem pais com problemas bucais, por exemplo. E muitas vezes não é diferente de cuidadores e seus pacientes. Assim, queridos leitores, mãos à obra: corre lá no banheiro e dá uma geral nessa boca. E na boca que você cuida também!!!

Observação: a onça é um animal carnívoro que se lambuza bastante na hora de comer a caça. Por esta razão, fede muito e sua presença é detectada à distância na mata. Assim, pessoas que possuem o hálito fétido passaram a ser chamadas de “bafo de onça”.

A pessoa com Doença de Alzheimer e o valor da afetividade

A pessoa com Doença de Alzheimer e o valor da afetividade

A doença de Alzheimer (DA) é um dos tipos de demência mais frequente, conhecido também como transtorno neurocognitivo maior, que afeta comumente pessoas idosas. É uma doença neurodegenerativa e progressiva que produz significativos prejuízos em domínios cognitivos (atenção complexa, função executiva, memória e aprendizagem, linguagem, percepto-motor e cognição social) (American Psychiatric Association [APA], 2013). E estes interferem nas atividades da vida diária. Isto é, na capacidade funcional do indivíduo.

Além dos sintomas cognitivos, indivíduos com DA apresentam também fenômenos comportamentais, físicos e psicológicos nos diferentes estágios da patologia. Essas manifestações causam sofrimentos à pessoa com DA e seus familiares, razão em que buscam cuidados em saúde. No estágio leve da DA costumam se encontrar sintomas depressivos e/ou apatia nos indivíduos. No estágio moderado são comuns características psicóticas, agitação, agressividade, perambulação e irritabilidade. Mais tarde na doença, pode-se observar incontinência, disfagia, mioclonia, convulsões e distúrbios da marcha (APA, 2013).

Diante do diagnóstico e sintomas iniciais da doença, indivíduos com DA tendem a buscar o isolamento social, bem como vivenciar a solidão e a depressão. Por isso, é importante compreender que pessoas com DA necessitam se relacionar com os outros e receber apoio afetivo. Ainda que em estágios mais avançados da DA, diante de limitações impostas pela doença, o paciente necessita de reconhecimento de suas capacidades e necessidades específicas. Tais como direito à autonomia (ainda que exercida parcialmente), ao respeito, à segurança, e a expressar opiniões e sentimentos/emoções.

 

Desta maneira, a afetividade, que pouco tem sido explorada nas ciências humanas em relação aos cuidados de pessoas com DA, pode ser uma aliada importante nesse processo. Pois ela é indispensável para todos os seres humanos independentemente de idade ou condição clínica.

 

A afetividade tem sido definida genericamente como agregado de sentimentos e emoções de experiências singulares que resultam em uma valoração qualitativa.

Algumas definições específicas encontradas na literatura são carinho, abraço ou cuidado que se tem com alguém próximo. Ou relações positivas com os outros, satisfatórias, calorosas e verdadeiras (Pires, 2016). Neste sentido, a afetividade estaria mais associada ao afeto positivo. Cabe mencionar que o afeto se trata da capacidade de afetarmos ou sermos afetados por alguém de forma positiva ou negativa, isto é, de relações energéticas. A maneira como somos afetados pode aumentar ou diminuir nossa maneira de agir (Oliveira; Lima-Silva, 2019).

Assim, a afetividade surge como importante promotor de qualidade de vida a ser alcançada por meio das relações familiares, comunitárias e sociais. Por isso, é preciso enaltecer as relações que gerem segurança afetiva para pessoas com DA. Neste intuito, a família é um espaço privilegiado, pois é responsável em proporcionar apoio emocional e segurança aos seus membros, mediante amor, atenção, interesse e compreensão. Bem como pode promover sentimentos de pertença e identidade familiar. Para Pires (2016) a família é o lugar do aconchego, de lembranças, de segurança e identitário, ainda que as relações e conflitos se tornem difíceis, ali é nosso lugar.

Há muitos momentos difíceis de lidar com a pessoas com DA, como confusão, tristeza e insegurança, bem como frustração por qualquer contrariedade, raiva ou medo. Esses sentimentos podem ser aliviados com atitudes do cuidador que transmitam conforto emocional, como um aperto de mão ou um abraço.

 

O toque é benéfico, na medida que, por vezes, revela carinho e alívio ao paciente. Afetividade pode ser traduzida também em calma e bom humor, comunicando que está tudo bem e que está ali para apoiá-la. Assim, evita comportamentos complicados e de difícil controle.

 

Você pode agir contrariando uma pessoa com DA que diz ter sumido um vestido (que a pessoa com DA não tem) ou ter uma atitude positiva dizendo que irá procurar, criando um clima mais favorável, compreensível e empático.

Outra questão é que com o declínio cognitivo, as pessoas com DA vão se tornando cada vez mais sensíveis ao toque e com a comunicação menos verbal. E é aí que entra a importância do contato físico, do toque, do abraço. De acordo com Newshan e Schuller-Civitella (2003), apresentam um resultado de estudo em que a terapia do toque promove calma, bem-estar, conforto, e muita satisfação ao paciente. Por este motivo, a afetividade, pode ser fundamental no cuidado da pessoa com DA. Ao contrário, um ambiente estressor e sem acolhimento, poderá trazer novos desfechos negativos para o paciente com DA e o seu cuidador.

Por fim, um ambiente familiar acolhedor é transformador, facilita a relação e minimiza conflitos com o indivíduo que tem DA, bem como reduz o sofrimento psicológico de ambos. Faz-se necessário respeito e amorosidade pelas queixas e sintomas que a pessoa com DA está apresentando, bem como demonstração de apoio diante de seus sofrimentos e necessidades.

 

Referências consultadas

American Psychiatric Association. 2013. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-V). Arlington, VA: American Psychiatric Association.

Oliveira, W. da S.; Lima-Silva, T. B. (2019). Centro-dia para idosos: afeto positivo como potência de ação e de fortalecimento de vínculos. Revista Kairós-Gerontologia, 22(2), 141-159.

Pires, C. F. 2016. Promoção das relações familiares e dos laços afetivos entre doente de Alzheimer institucionalizado e a família. 134f. Dissertação de Mestrado. Instituto Politécnico de Portalegre Escola Superior de Educação e Ciências. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/29898

Demência com corpos de Lewy: aspectos gerais

Demência com corpos de Lewy: aspectos gerais

Antes de entender a Demência com corpos de Lewy (DCL) é necessário enfatizar e compreender o conceito de demência. A demência é uma deterioração gradual e lenta do cérebro que afeta o funcionamento mental, como: memória, atenção, concentração, linguagem, raciocínio, entre outros. Essa disfunção ocorre principalmente em pessoas com mais de 65 anos de idade, mas, pode acometer pessoas mais jovens, apesar de ser mais raro. Nos estágios iniciais da demência, uma pessoa tem propensão a se tornar ansiosa ou deprimida devido à consciência da demência e da perda de memória. Desta forma, à medida que a situação piora, a pessoa pode se tornar mais dependente de outras pessoas
Nesse contexto, é válido ressaltar as síndromes parkinsonianas ou com parkinsonismo, cujos termos são usados para classificar um grupo de doenças que apresentam causas diferentes, mas englobam os sintomas mais comuns da Doença de Parkinson (DP) como tremor, movimentos lentos e rigidez. Nesse sentido, podemos classificar o parkinsonismo em quatro categorias, sendo elas: primário, secundário, Síndromes Parkinson-plus e Doenças heredodegenerativas. Assim, podemos dizer que a patologia é um tipo de parkinsonismo, mas nem todo parkinsonismo é Parkinson.
Por sua vez, para a identificação da DP e de seu quadro clínico, é necessário entender as características da doença em si. A DP é uma doença degenerativa, crônica e progressiva, em que ocorre perda de neurônios no Sistema Nervoso Central em uma região conhecida como substância negra. Os neurônios dessa região sintetizam o neurotransmissor dopamina, cuja diminuição provoca sintomas como: tremor em repouso, rigidez muscular, diminuição da velocidade dos movimentos e distúrbios do equilíbrio e da marcha.

 

A Demência com Corpos de Lewy está inserida na categoria das Síndromes Parkinson-plus. A DCL é uma doença neurodegenerativa progressiva que pode afetar a qualquer tipo de pessoa, sendo mais comum como dito a ocorrência em idosos, caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais (alfa-sinucleína) nas células do cérebro chamadas de Corpos de Lewy.

 

Seu quadro clínico é caracterizado por declínio cognitivo flutuante, com alucinações visuais e sintomas extrapiramidais (hipomimia, rigidez, tremor de repouso). A atenção, linguagem, funções executivas e as habilidades visuoespaciais são os domínios cognitivos mais prejudicados, podendo desenvolver sintomas parecidos com a Doença de Parkinson.

Um caso clássico relacionado à doença se refere ao ator Robin Williams, que durante sua carreira foi constatada a presença da Demência com corpos de Lewy (DCL). Sua esposa, Susan Williams, relata que durante a trajetória do ator, observou acentuadas dificuldades comportamentais e fisiológicas, tais como: problemas de linguagem, de se relacionar com os amigos, de se lembrar de fatos recentes, problemas com o sono, entre outros. Após a sua morte, na autópsia realizada, foi constatado que praticamente todas as regiões do cérebro foram afetadas, o que prediz o grau elevado e preocupante da doença. Atualmente, a esposa se dedica a promover ações de conscientização sobre a DCL.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V, 2014) a DCL é o terceiro tipo de demência mais comum na população, sendo mais prevalente em homens. Em relação aos tratamentos, existem algumas alternativas farmacológicas, tais como o uso de anticolinérgicos e antidepressivos, e não farmacológicas, como a atuação de uma equipe interdisciplinar para contribuir com o processo de cuidado e atenção ao paciente.

 

É necessário que cada vez mais possamos conhecer essas doenças a fim de buscar e viabilizar novas formas de tratamento para amenizar e lentificar a evolução dos sintomas, uma vez que até o momento não foram identificados métodos de cura para a demência.

 

Os conhecimentos dessas patologias podem ajudar a identificar e realizar o diagnóstico precoce, promovendo assim uma melhor qualidade de vida para o indivíduo. No processo de avaliação diagnóstica das demências, e em especial, a DP, é necessário se atentar aos sinais mais comuns que a pessoa apresenta, tais como: rigidez na expressão facial, bradicinesia, tremores, rigidez nas articulações e muscular, tremores e desequilíbrio/andar arrastando.

Existe a possibilidade de realizar exames laboratoriais e de neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética, ou preferencialmente a ressonância), que são importantes para excluir outras doenças. Além da avaliação clínica, deve-se utilizar uma das escalas para graduação da incapacidade, tais como a escala de Hoenhn  e  Yahr  modificada, que indicam incapacidade  motora. Outra avaliação que pode ser utilizada, do ponto de vista cognitivo, é o Exame Cognitivo de Montreal- MOCA (em inglês:  Montreal Cognitive Assessment), que contempla e avalia as habilidades visuoespaciais e visuoconstrutivas, nomeação, funções executivas, linguagem, memória e orientação-temporal e espacial.

Dentro desse contexto, um profissional gerontólogo operando em uma equipe interdisciplinar, pode atuar como mediador entre o paciente, a família e os profissionais de saúde, colaborando para o entendimento da doença e sua aceitação, criando estratégias para lidar com o paciente no dia a dia, estabelecendo rotinas, realizando estimulação cognitiva, ajudando e orientando sobre mudanças funcionais e estruturais no lar, bem como prestando auxílio e suporte às famílias que necessitam de apoio. O objetivo principal é, sabendo das capacidades reduzidas da pessoa doente, auxiliá-la naquilo que ainda pode realizar, proporcionando o máximo de atividades para a sua funcionalidade e promovendo a sua qualidade de vida.

 

A atuação multidisciplinar de profissionais gerontólogos em parceria com psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, por exemplo, pode contribuir de forma significativa com os cuidados para a manutenção do bem-estar do paciente diagnosticado com DCL e com o suporte para familiares e/ou cuidadores.

 

Além dos tratamentos medicamentosos, as denominadas terapias não farmacológicas têm demonstrado efeitos positivos sobre as demências. Veja a seguir alguns exemplos sobre como esses profissionais podem atuar:

  • Fonoaudiólogos: auxiliam na manutenção da capacidade da fala e deglutição;
  • Nutricionistas: orientam em relação ao consumo adequado de alimentos e ingestão de líquidos, objetivando uma dieta que contribua com a melhor saúde possível;
  • Fisioterapeutas: estimulam o ganho de força muscular, a melhora do equilíbrio e da marcha, assim como a redução da rigidez muscular;
  • Psicólogos: proporcionam, através de terapias específicas, o cuidado com a saúde mental e cognitiva dos pacientes e familiares;
  • Terapeutas ocupacionais: realizam intervenções de acordo com as habilidades, interesses e demandas do paciente, especialmente relacionadas a realização de tarefas ocupacionais e cognitivamente estimulantes, adaptações no ambiente, entre outras.

 

A estimulação cognitiva, intervenção que pode ser realizada por diferentes profissionais, permite a maior preservação e menor velocidade de deterioração das funções cognitivas como memória e linguagem, sendo uma das terapias não farmacológicas mais recomendadas. Ainda que haja muitos desafios no tratamento e cuidado com pessoas diagnosticadas com Demência com corpos de Lewy, pesquisadores e diversos profissionais, dedicam-se para viabilizar as melhores condições de vida e saúde para pacientes, familiares e cuidadores.


Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014.

LIMA-SILVA, Thais Bento. Doença de Parkinson e outras síndromes parkinsonianas. In: LIMA-SILVA, Thais Bento. Envelhecimento cerebral e saúde mental na velhice. São Paulo: Editora Senac, 2019, p. 1-15.

PARMERA, Jacy Bezerra; NITRINI, Ricardo. Demências: da investigação ao diagnóstico. Revista de Medicina, v. 94, n. 3, p. 179-184, 2015. DOI: 10.11606/issn.1679-9836.v.94i3p179-184. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/108748. Acesso em: 17 nov. 2021.

WILLIAMS, Susan Schneider. The terrorist inside my husband’s brain. 2016. DOI: 10.1212/WNL.0000000000003162. Disponível em: https://n.neurology.org/content/87/13/1308. Acesso em: 18 nov. 2021.

Doença de Parkinson: dicas para ajudar o paciente e a família

Doença de Parkinson: dicas para ajudar o paciente e a família

Você sabia que dia 11 de abril é considerado o Dia Mundial da Doença de Parkinson e que todo o mês é voltado para a conscientização da doença? Essa data foi escolhida em homenagem a James Parkinson, médico inglês que descreveu a doença pela primeira vez em 1817, na época chamada de “paralisia agitante”. Somente 50 anos depois, após novas descobertas feitas pelo pesquisador Jean-Martin Charcot a doença recebeu o nome de Doença de Parkinson (DP).

A Doença de Parkinson (DP) faz parte do grupo de doenças neurodegenerativas e atinge principalmente pessoas acima de 50 anos. Estudos indicam que a possibilidade de ser acometido pela doença aumenta de acordo com a idade. Dados revelam que atualmente cerca de 200 mil brasileiros têm o diagnóstico da doença, no entanto, possivelmente esse número é mais elevado, pois são necessários diversos exames e procedimentos para identificar a DP.

Apesar dos avanços da ciência, os conhecimentos sobre a enfermidade ainda são limitados. Não existe um consenso sobre sua causa e o quanto está relacionada ao processo de envelhecimento. Pesquisadores têm direcionado as investigações principalmente para quatro fatores: aspectos genéticos (considerando a hereditariedade), aspectos ambientais (exposição a toxinas), estresse oxidativo e alterações celulares.

Existe grande possibilidade de que os quatro fatores anteriormente citados estejam relacionados, e que juntos, causem danos na região da substância nigra, área do cérebro responsável pela produção de dopamina, um neurotransmissor que leva informações do cérebro para o corpo. Portanto, quando essa região é  envolvida e seus neurotransmissores morrem, há um comprometimento do funcionamento adequado do corpo, gerando diversos sintomas.

            Os primeiros costumam ser notados inicialmente pelas pessoas mais próximas, como a lentificação dos movimentos e os tremores nas extremidades das mãos. Outros sintomas são: a diminuição do tamanho da letra, a rigidez muscular, acinesia, ou seja, uma diminuição dos movimentos, problemas na fala e no sono, depressão, além de problemas respiratórios, urinários e dificuldade na deglutição.

Dicas sobre doença de Parkinson para ajudar o paciente e a família

  • Praticar atividades físicas: sabemos que os exercícios físicos auxiliam a preservar por exemplo, a capacidade de execução dos movimentos, portanto, pode ajudar a retardar o avanço acelerado desse declínio.
  • Realizar exercícios de orientação temporal: é sempre importante conversar com a pessoa que tem DP o dia, o mês e o ano em que estamos, além de sempre questionar a hora aproximada, pois assim ela se situará no tempo.
  • Discutir notícias recentes: ler notícias preferencialmente positivas, essa atividade contribuirá para saber os acontecimentos da humanidade.
  • Desenvolver exercícios intelectuais: esses exercícios contribuem para a preservação das funções cognitivas, como por exemplo, a memória. Há um Método chamado Supera que utiliza exercícios que colaboram para que pessoas saudáveis ou com leve declínio cognitivo mantenham as suas capacidades intelectuais.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde. 11/4 – Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson: avançar, melhorar, educar, colaborar! 2021. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/3450-11-4-dia-mundial-de-conscientizacao-da-doenca-de-parkinson-avancar-melhorar-educar-colaborar. Acesso em: 12 abr. 2021.

Pinheiro, J. E. S. Doença de Parkinson e Outros Transtornos do Movimento. [In] Freitas, E. V.; PY, L. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 3a Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 437 – 445.