por Dra. Gisele Leme | jun 25, 2021 | Idosos e Famílias
O aumento global da expectativa de vida do ser humano resulta em uma população idosa, em ascensão, e crescente número de pessoas com comprometimento neurodegenerativo relacionados à idade e à demência trazendo grandes custos econômicos e emocionais.
Estima-se que haja 50 milhões de casos de demência ao redor do mundo, sendo a prevalência de 2 a 4% aos 65 anos de idade, crescendo a 15% aos 80 anos de idade.
Na falta de tratamento farmacológico para reduzir a progressão, ou mesmo reverter o quadro é necessário recorrermos aos métodos de prevenção relacionados ao estilo de vida representando uma promessa para os próximos anos.
Processo de envelhecimento natural como parte do ciclo da vida
O envelhecimento é considerado o período que sucede a fase da maturidade e é caracterizado pelo declínio das funções orgânicas e da capacidade funcional do indivíduo. Nesse período, o organismo sofre diversas alterações anatômicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas, com repercussões sobre as condições de saúde.
Dentro desse contexto, o papel da nutrição vem ganhando destaque nos últimos anos, especialmente, com impacto na manutenção da saúde cerebral no processo de envelhecimento.
O desenvolvimento do cérebro acontece até 30 anos de idade, aproximadamente; posteriormente, um processo lento de atrofia se estabelece, com sinais clínicos de neuro degeneração, tipicamente, não acontece antes de uma idade mais avançada.
Esta trajetória parece ser determinada por uma rede complexa de fatores genéticos, endógenos e ambientais. Em função de sua lenta progressão há uma janela de oportunidade para intervenção com estratégias preventivas.
A nutrição tem sido identificada como uma promessa em patologias relacionadas ao envelhecimento como as doenças neurodegenerativas e demência.
A epidemiologia nutricional tem papel protetor de dietas saudáveis e de diversos nutrientes para o cérebro que envelhece.
Evidências sugerem que alguns nutrientes, em particular vitaminas, flavonoides e ácidos graxos ômega 3 têm potencial em afetar positivamente a função cognitiva. Mas além do foco em determinados nutrientes, alguns estudos apontam para uma abordagem com múltiplos nutrientes; outros focam em determinados tipos de dietas em função da complexidade das interações entre nutriente e alimento.
Envelhecimento e Alimentação: A dieta do Mediterrâneo
Dentre as dietas, a do Mediterrâneo tem sido estudada extensivamente no contexto do envelhecimento cerebral bem como em outras condições como doenças cardiovasculares e câncer.
A dieta do Mediterrâneo tem sua origem em culturas alimentares de países da bacia do mar Mediterrâneo. Embora existam muitas variantes desta dieta é, geralmente, caracterizada pela abundância de vegetais, frutas, cereais integrais, legumes, castanhas e sementes e o azeite de oliva é uma das principais fontes de gordura. Inclui quantidades moderadas de peixe e frango, carne vermelha em baixa quantidade e vinho, normalmente presente apenas nas refeições.
Evidências de estudos longitudinais e ensaios clínicos indicam que a adesão a este padrão está associada com melhores taxas na performance cognitiva e com menor risco no prejuízo cognitivo.
Uma versão da dieta Mediterrânea desenvolvida por um grupo de pesquisadores em 2015, deu origem a dieta MIND (Mediterranean- DASH Intervention for Neurodegenerative Delay).
A dieta MIND combina os princípios da dieta do Mediterrâneo com a dieta DASH (Dietary Approach to Stop Hypertension) desenvolvida para o tratamento de hipertensão. É caracterizada pela alta ingestão de frutas vermelhas, vegetais verdes folhosos e demais vegetais, aves, peixes, oleaginosas, leguminosas, grãos integrais e azeite de oliva extravirgem. Em contrapartida, carne vermelha, queijo, manteiga, margarina, “fastfood”, doces e massas estão presentes em quantidades muito baixas.
Esta dieta tem por objetivo reduzir a incidência de demência e o declínio da saúde cerebral. Vale mencionar que os ensaios, testando sua eficácia, ainda estão em andamento e os principais resultados são aguardados.
Adicionalmente, diversos estudos têm apontado que a adesão a outros fatores de estilo de vida como qualidade do sono, atividade física e envolvimento em atividades da cotidianas também foram relacionados com uma melhoria da função cognitiva.
Estes achados sugerem que seja feita uma abordagem com vários domínios, incorporando a dieta a outros promotores de saúde podendo otimizar efeitos benéficos na promoção da performance cognitiva e prevenção do declínio com a idade.
Desta forma, é necessário que haja um esforço no âmbito social para a elaboração de programas e políticas de prevenção que traduzam os resultados obtidos em pesquisas recentes e que também haja um incentivo da conscientização da população em relação a importância da nutrição para o bom envelhecimento, qualidade de vida e boa cognição.
por Dr. Milton Roberto Furst Crenitte | jun 21, 2021 | Idosos e Famílias
Precisamos falar daquela que tem sido tão esperada desde março de 2020: a Vacina contra a COVID-19.
Há mais de 12 meses estamos sendo bombardeados por informações sobre o novo coronavírus. Não era para menos! Quase que de repente, um micróbio invisível modificou completamente a maneira como nos relacionamos e, infelizmente, provocou milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas!
Só para terem uma ideia de quanta ciência é envolvida na elaboração desse dispositivo, seu termo surgiu há mais de 200 anos, na Inglaterra, quando um médico percebeu que trabalhadores rurais que tiveram contato com a varíola bovina tinham formas mais leves dessa doença e, dessa forma, inoculou tal agente em pessoas saudáveis.
Além disso, são inúmeras as vacinas que modificaram a nossa história melhorando (e MUITO!) a vida das pessoas. Temos, por exemplo, a Poliomielite (a paralisia infantil), doença erradicada do Brasil, em 1994, graças à Vacina.
Eu poderia listar várias outras vacinas com excelentes benefícios, como a do Sarampo, do Tétano e, até mesmo, a da Febre Amarela.
Mas vamos voltar para a vacina contra o Coronavírus…
Estudada e desenvolvida em uma parceria com uma instituição centenária, o Instituto Butantã, temos agora uma luz que evita mortes e internações.
Apesar do que algumas autoridades mal-intencionadas dizem, não existe evidência científica para recomendação de tratamento precoce para essa doença. Se continuarmos atrasados no processo da vacinação teremos cada vez mais mortes e uma economia cada vez mais depauperada.
Algumas pessoas questionaram sobre a eficácia desse dispositivo, divulgado por exemplo pelo Instituto Butantã nos últimos meses. Eu também gostaria que tal número fosse maior, mas vamos lembrar o que os estudos científicos mostraram.
O principal achado foi a segurança da vacina
Apenas alguns efeitos como dor local foram relatados pelos participantes da pesquisa científica. Além disso, houve uma redução importante de casos sintomáticos, o que pode significar redução significativa em número de internações hospitalares, reduzindo assim a sobrecarga no nosso sistema de saúde. Nesse contexto, quero lembrar que não são só portadores de COVID-19 podem precisar de oxigênio hospitalar, citando o exemplo de Manaus.
Reduzir a sobrecarga dos hospitais e clínicas pode melhorar a assistência de todos, de recém-nascidos ao tratamento de uma pessoa com infarto do miocárdio. Portanto, a melhor vacina é a que está disponível, que é segura e que pode salvar vidas.
Não podemos ter medo da vacina, e sim do vírus. Manter as coisas como estão só causará mais mortes.
Outra coisa que os cientistas temem tanto: a mutação do vírus. Por isso, vacinação é uma proteção coletiva para todos. Não tomamos vacina somente para nos proteger, mas também para proteger àqueles que estão ao nosso lado, reduzindo a propagação do vírus e, consequentemente, resolvendo a pandemia.
Acompanhem a divulgação do calendário vacinal contra o coronavírus, questionem qualquer informação inverídica sobre o suposto tratamento precoce, continuem se protegendo (máscaras e distanciamento social) e ouçam a enfermeira Monica Calazans, primeira brasileira vacinada:
“Vamos nos vacinar. Não tenham medo da vacina”.
por Dr. Tarso Adoni | jun 18, 2021 | Idosos e Famílias
Anthony Hopkins ganhou o seu segundo Oscar na premiação deste ano e, assim, tornou-se o mais velho vencedor do prêmio, aos 83 anos. Depois do inesquecível Dr. Hannibal Lecter em “O Silêncio dos Inocentes” (1991), foi a vez de dar vida ao protagonista Anthony em “Meu pai” (The Father, 2020). E nunca o dito aristotélico “a arte imita a vida” fez tanto sentido.
O filme gira em torno da deterioração mental do personagem, um homem de 81 anos que começa a apresentar sinais de demência. Há, inicialmente, dificuldade em se lembrar de fatos recentes, pois muda-se para a casa da filha, mas tem a convicção de estar na própria casa.
Anthony passa a acreditar que uma cuidadora contratada pela filha roubou o seu relógio, embora ele mesmo não se lembre de ter escondido o objeto em “esconderijo” que é então gentilmente apontado pela filha.
Temos ainda a criação de histórias que deixam o espectador em suspense, ora acreditando na versão do protagonista, ora dela desconfiando.
E, por fim, de modo mais arrasador, por isso mesmo mais verossímil, aquele homem passa a confundir as pessoas em seu entorno: um enfermeiro é, para ele, o seu genro; uma enfermeira, sua filha.
Todos aqueles que passaram ou passam pela situação de acompanhar uma pessoa próxima com demência irão identificar no filme os vários estágios de evolução da doença.
E, embora nunca seja dito o diagnóstico exato de Anthony, podemos usar o enredo para discutir a doença de Alzheimer, a causa número um de demência degenerativa, cujo principal fator de risco é o envelhecimento.
Evolução da doença Hopkins
Embora a doença esteja sempre associada à perda progressiva de memória, há outras manifestações que, muitas vezes, são mais impactantes do que a própria amnésia. As manifestações que mais trazem sobrecarga aos familiares e aos cuidadores são as chamadas comportamentais.
Dentre as mais comuns estão os delírios de roubo e de ciúme, caracterizadas pela crença inamovível de estar sendo roubado ou traído. Além disso, episódios de agressividade e agitação podem ocorrer em alguém antes descrito como um gentil cavalheiro ou uma afável senhora.
Assim como acontece no filme, conforme a doença evolui, passa a haver dificuldades em reconhecer o ambiente – o que, em termos práticos, implica em enorme risco de, sozinho, se perder na rua e, posteriormente, dificuldade em se guiar pelos cômodos da própria casa – e o surgimento potencial de alucinações visuais.
E, no estágio final, os autocuidados relativos à higiene e à alimentação são perdidos e precisam ser assumidos por outras pessoas.
O filme é um colosso, cuja força está assentada na atuação magistral do ator Hopkins.
E se há muita tristeza e desesperança conforme as cenas avançam, há a certeza de que uma vida plena e feliz deve ser buscada todos os dias e em todas as idades.
por Dra. Paula Cristina Eiras Poço | jun 16, 2021 | Idosos e Famílias
Existem medidas não medicamentosas que podem melhorar o sono de quem sofre de insônia crônica.
Existem dois tipos de insônia:
- Curta duração ou situacional – na maioria das pessoas a insônia de curta duração é situacional e terá resolução espontânea quando a situação estressora que gerou a insônia acabar. Não é considerada doença e é importante ter tranquilidade em relação à benignidade
- Insônia crônica – a insônia crônica pode por vezes ter tido início com um quadro situacional, mas geralmente persiste por mais de três meses. Por vezes está associada a um quadro psiquiátrico de base. Esse tipo sim, necessita de avaliação abordagem específicas, com mudanças comportamentais e por vezes até abordagem medicamentosa.
Antes de começar a mudar sua rotina e comportamentos, reveja com seu médico as medicações que você usa! Existem remédios que podem atrapalhar o sono. Avaliar essa possibilidade é sempre interessante já que, algumas vezes, a simples suspensão ou troca de algumas medicações podem melhorar a qualidade do sono, sem a necessidade de introduzir novas drogas.
As principais classes de medicações que impactam no sono são os corticoides, os estimulantes e os antidepressivos.
Rotina e comportamento para melhorar o sono
A primeira linha de tratamento para a insônia crônica é a chamada terapia cognitivo comportamental, com foco no sono.
Surge o conceito de higiene do sono, medidas que visam ajuste de hábitos e comportamentos que podem impactar na capacidade de adormecer e manter um sono repousante.
12 dicas para você cuidar da higiene do seu sono:
- Ter horários regulares para se deitar e acordar, independente do dia da semana. Compensar noites mal dormidas durante a semana no final de semana atrapalha o ciclo do sono. Tente acordar sempre num horário regular
- Ir para a cama somente quando sentir sono
- Planejar atividades noturnas que promovam relaxamento: aqui é necessário testar diferentes abordagens e ver quais se adequam à você
- Manter um ambiente favorável: quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável
- Evitar assistir à televisão ou mexer no celular na cama. Telas estimulam o cérebro e afastam o sono.
- Não cochilar durante o dia!
- Evitar comportamentos de ansiedade com relação à insônia – olhar o relógio no meio da madrugada ou se preocupar com quantas horas de sono terá, pois esse hábito só estimula o despertar
- Sair da cama se não conseguir adormecer e tentar realizar atividade relaxante até sentir sono, para somente então retornar a cama
- Evitar estimulantes – como cafeína, após o almoço; álcool e nicotina perto da hora de dormir
- Atenção à alimentação: evitar refeições volumosas antes de dormir, mas também não ir para cama com fome
- Realizar exercícios físicos regulares 4 a 6 horas antes de dormir. Atividade física próxima ao horário de dormir pode funcionar como estimulante!
- Exponha-se à claridade do dia: isso reforça o ciclo circadiano, que é o ciclo biológico que nosso organismo adota para liberação de hormônios e ajuste do metabolismo
Nem todos os pacientes conseguem solução do quadro apenas com medidas de higiene do sono e a terapia cognitivo comportamental pode ser de difícil acesso para algumas famílias e para alguns perfis de pacientes.
Mesmo que você ou seu familiar precise tomar medicações para o sono, é importante saber que estudos já demonstraram que a combinação com medidas comportamentais é superior ao remédio isoladamente.
Enfim, não desista de tentar melhorias comportamentais mesmo que, no seu caso, o médico tenha receitado medicações!
por Dr. Milton Roberto Furst Crenitte | jun 14, 2021 | Idosos e Famílias
Cada vez mais a sexualidade de pessoas idosas tem ganhado a atenção do público e do campo do saber gerontológico, ao mesmo tempo em que há um aumento no número de pessoas com demência, como a causada pela Doença de Alzheimer.
Ao contrário do que muitos acreditam, algumas pessoas com demência podem manter desejos e expressões de sexualidade.
É inegável que muitos apresentam uma redução no desejo, na frequência e na satisfação sexual, mas pesquisas realizadas nas últimas décadas mostram que a intimidade, o toque, a privacidade, a sensação de vínculo com alguém e, em alguns casos, até mesmo o ato sexual, podem ser benéficos tanto para a pessoa com demência quanto para sua parceria.
Existe a possibilidade de acontecer com um casal, por exemplo, em que uma pessoa tenha demência, ou as duas tenham ou, até mesmo, aconteçam novas relações em Instituições de Longa Permanência para Idosos. Isso pode acender um debate no qual não existe verdade absoluta ou respostas fáceis e prontas.
Entretanto, não é raro que uma pessoa com síndrome demencial que expresse ou tente manifestar sua sexualidade seja considerada inapropriada por nós, ou seja caracterizada como alguém agitada ou agressiva, e por isso, receba uma intervenção medicamentosa sem necessidade.
Com esses conhecimentos em mente, profissionais da saúde também devem avaliar a capacidade de consentimento dessas pessoas lembrando, por um lado, que a despeito da evolução do quadro cognitivo, muitos podem manter a capacidade de tomada de decisões, a qual se deteriora com a evolução natural da doença.
Por outro lado, no tocante à proteção de pessoas com demência é importante destacar que o “estupro de vulnerável” é previsto no código penal como um crime e parceiros fixos podem ser, em tese, enquadrados nessa legislação.
Nesse contexto, reprimir ou proibir a expressão da sexualidade de pessoas idosas, sem embasamento, pode ser um ato violento que contribua com o sofrimento biopsicossocial da pessoa com demência e de seus familiares.
Sexualidade não se resume ao ato sexual
Além disso, sexualidade não se resume apenas ao ato sexual, e nossa abordagem não pode ser baseada no binarismo do “Tudo ou Nada”, do “Certo ou Errado” ou do “Normal ou Patológico”. É preciso ir além, respeitando a biografia e heterogeneidade de cada um.
Mesmo nos casos de evolução da demência e perda da capacidade de consentimento, é possível orientar as pessoas que se relacionarão sobre as diferentes formas de carinho, de afeto, de toque e de intimidade como abraços ou até mesmo uma massagem nos braços e nas pernas com aroma agradável.
Por fim, como sexo e sexualidade muitas vezes são considerados assuntos “tabu” pela sociedade, as percepções individuais têm grande impacto na vivência e no tratamento que desempenhamos. Uma pesquisa com cuidadores de idosos mostrou que aqueles que se sentiam desconfortáveis com esse assunto teriam uma tendência maior a reprimir ou silenciar qualquer manifestação sexual da pessoa idosa. Dessa forma, nada melhor do que falar sobre isso e planejar estratégias de comunicação para um assunto tão importante.
por Equipe TREVOO | jun 11, 2021 | Idosos e Famílias
A equipe da Trevoo conhece as dificuldades para escolher a Casa de Repouso (Residencial para Idosos), principalmente emocionais, que norteiam a decisão de mudança (ou não) de um idoso para um Residencial. Medos e dúvidas se confundem, nos levando a questionar se a atitude a ser tomada será a mais correta para a qualidade de vida do idoso e seus familiares.
Recomendamos que você converse com os membros de sua família e a equipe que acompanha o idoso, (geriatra, clínico, neurologista, entre outros), conheça os melhores Residenciais de São Paulo, apresentados pela www.trevoo.com.br e conte com o apoio do Assessor Familiar durante a pesquisa.
Quanto maior o número de informações que você tiver a este respeito, mais acertada será a sua decisão.
Dicas importantes para escolher a Casa de Repouso:
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Existe alguma lei específica que protege o idoso?
Sim, o Estatuto do Idoso, que foi promulgado em outubro de 2003. Essa é a norma que estabelece as prerrogativas, as prioridades e os direitos do idoso no Brasil. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm
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O que é uma ILPI?
ILPI significa instituição de Longa Permanência para Idosos. São elas: casas de repouso, clínicas geriátricas e asilos. Asilo era o nome dado antigamente. Atualmente, ILPI é o nome “politicamente correto” quando nos referirmos as residências coletivas destinadas às pessoas idosas, segundo a RDC 283(http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_283_2005_COMP.pdf/a38f2055- c23a-4eca-94ed-76fa43acb1df), de 2005, Artigo IV, incisivo 3.6. As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) são caracterizadas como instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condições de liberdade, dignidade e cidadania.
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Como saber se o Residencial cumpre as exigências legais?
Para atender as exigências da lei, o Residencial deve ter identificação externa, estar cadastrada no CMVS (Cadastro Municipal de Vigilância em Saúde) e possuir AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Deve contar com um responsável técnico de nível superior cadastrado junto ao seu respectivo conselho; equipe multidisciplinar com, no mínimo, um médico, um enfermeiro, um nutricionista e um fisioterapeuta; equipe de apoio com auxiliares/técnicos de enfermagem, serviços gerais, cozinheira, podendo também contar com serviços terceirizados como lavanderia, por exemplo.
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Quem pode se hospedar?
Podem se hospedar pessoas a partir de 60 anos.
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Quando e por que procurar?
A hora ideal é quando você percebe que fica inviável cuidar do idoso/familiar. Observamos que os familiares percorrem uma trajetória de eventos antes de considerar levar o idoso para um Residencial. Isso começa quando algum membro da família passa a dedicar-se em tempo integral ao idoso. Torna-se necessário adaptar a residência para suprir as necessidades da idade avançada e surge a necessidade de contratar um cuidador que fique durante o dia enquanto a família se organiza em esquema de plantão de revezamento durante a noite. Depois de um tempo é preciso encontrar um cuidador para o dia e outro para passar a noite. Só então, esgotadas todas as alternativas, surge a hipótese de procurar um Residencial.
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O que observar em uma visita a um Residencial?
Os principais detalhes a serem observados e questionados são:
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Limpeza e cuidados dos dormitórios, e demais ambientes onde os idosos residem;
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Ambientes de convívio coletivo, se possuem instalações que seguem normas de acessibilidade;
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Aparência dos residentes em relação aos cuidados pessoais;
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Procedimentos médicos e terapêuticos praticados, quais profissionais compõem a equipe clínica, se há Assistência de enfermagem 24 horas e atendimento médico periódico (que pode ser diariamente ou com intervalos de visitas quinzenais e até mensais)
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Quais as atividades são oferecidas para estímulo físico, cognitivo, social e religioso
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Em caso de emergências, ou internações hospitalares, qual suporte oferecido pela clínica, se o Residencial possui convênios com alguns tipos de serviços (como remoção médica, com outros profissionais de cuidados especializados, entre outros).
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Como devem ser os prontuários dos residentes?
Os prontuários devem ser únicos para cada residente e com evolução de toda equipe multiprofissional, estes deverão conter ainda exames solicitados e seus laudos, e todo que diz respeito ao idoso.
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Qual o período mínimo de permanência?
O idoso poderá permanecer o tempo que quiser ou puder. Destacamos que o pagamento mensal é feito antecipadamente. Desta forma os contratos, em geral, não possuem prazo de vigência.
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A decisão de institucionalizar um familiar/idoso em um Residencial deve ser da família, do idoso, caso ele tenha condições, ou em conjunto?
Preferencialmente, a decisão deve ser tomada em conjunto, oferecendo ao familiar/idoso a possibilidade de opinar em ir ou não para o Residencial. Porém, em caso de impossibilidade devido a condições clínicas, cabe à família tomar a decisão.
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Quais os níveis de dependência que normalmente requerem a mudança para o Residencial?
Aqueles que impedem o idoso desempenhar suas funções de forma independente e segura, e quando seus familiares não tenham condições de proporcionar cuidados profissionais específicos.
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Um idoso independente e funcional pode morar em um residencial?
Sim, existem opções de moradia e hospedagem para idosos lúcidos e independentes. Esses locais atendem idosos que desejam independência, segurança, conforto e a possibilidade de interação com outros moradores, além de executarem atividades e receberem estímulos físicos e cognitivos.
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Normalmente, um idoso com grave dependência será mais bem cuidado em um Residencial ou em casa?
Sem dúvida, em um Residencial, onde o idoso terá suporte da equipe médica e de enfermagem com cuidados especializados durante 24 horas, fator determinante para uma boa reabilitação.
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Em relação aos custos, um idoso com grave dependência gera mais gastos sendo tratado em casa ou em um Residencial?
Acreditamos que os custos serão maiores em casa, local que exige investimentos elevados com equipamentos, serviços especializados, cuidado integral, além de adaptação do ambiente, fato que pode significar uma grande reforma dependendo de cada um. A maioria destes serviços está incluída na mensalidade dos Residenciais, que também se encarregam dos cuidados da parte de hotelaria.
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O idoso se sente mais seguro e amparado quando tratado em um Residencial ou em casa? Por quê?
No caso de idosos que demandem cuidados específicos, os Residenciais são as melhores opções de cuidado, oferecendo um ambiente especializado, com profissionais capacitados, treinados e supervisionados que proporcionam ao idoso uma maior sensação de confiança e bem-estar. Para idosos independentes os Residenciais também são uma ótima opção, por oferecerem conforto, segurança e estímulos físicos e cognitivos. O desejo de um idoso independente em ir para um Residencial por muitas vezes está atrelado a ele não querer ter preocupações e demandas das necessidades domésticas e nem de demandar essas necessidades para os familiares.
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É difícil o processo de adaptação em um Residencial? É importante a presença periódica da família para uma melhor adaptação?
Varia de idoso para idoso. É comum um estranhamento inicial, porém, nem sempre a presença constante dos familiares fará com que a adaptação seja suficientemente boa. De forma geral, um planejamento interdisciplinar é capaz de definir os cuidados iniciais mais adequados para o idoso.
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O que a família pode fazer para contribuir para uma melhor adaptação do idoso?
A colaboração da família é muito importante neste processo, dando apoio ao idoso e a equipe no plano terapêutico e clínico traçado para o idoso.
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Quais as atividades/serviços básicos que todo Residencial de qualidade deve oferecer?
Locais de trânsito pessoal e coletivo dotados de acessibilidade, uma rotina composta de atividades que visem o bem-estar biopsicossocial dos idosos (atividades físicas, estimulação cognitiva, inserção social e lazer), serviços ou acessibilidade para cuidados pessoais e de beleza são um bom referencial, cardápios e dietas elaborados por nutricionista adequados para diferentes necessidades e faixas etárias.