por Josiane dos Santos Cozac | maio 5, 2021 | Idosos e Famílias
Diante do crescimento da expectativa de vida da população idosa, a psicogerontologia ajuda o idoso a compreender e a se adaptar à nova realidade. Vem ao encontro de um dos grandes desafios da atualidade: o cuidado especializado dedicado à população longeva com foco nas mudanças que afetam sua vida física, social e emocional.
Infelizmente, na prática, nem todos vivem o futuro que idealizaram durante a vida inteira. Muitos precisam lidar com a dura realidade de ver o corpo ganhando rugas rapidamente, a memória sendo colocada em xeque, as pernas já não conseguindo acompanhar os passos lentos, além de tantos lutos, perdas e coisas para ressignificar. Quantas mudanças!
Ajudar o idoso a compreender e a se adaptar à nova realidade de uma forma saudável e equilibrada é um dos pilares da Psicogerontologia que respeita, antes de tudo, o movimento de cada um.
O que é a Psicogerontologia
A Psicogerontologia é a junção dos conhecimentos produzidos pelas áreas da Psicologia e Gerontologia. Estuda os processos psíquicos do envelhecimento de forma interdisciplinar levando em conta, além da subjetividade, as demandas sociais, econômicas, históricas, políticas e as experiências vividas a fim de atender, cada vez melhor, essa grande demanda de envelhecimento.
Uma vida longa e sadia nem sempre garante qualidade e felicidade. Diante de uma sociedade que não está preparada para cuidar dos mais velhos é necessário discutir a individualidade do idoso, suas potencialidades, limitações e dificuldades.
A Psicogerontologia desempenha papel importante no fortalecimento de vínculos, principalmente familiares, buscando a possibilidade de preservar os sentimentos de pertencimento junto às pessoas que ele ama nesta rede de proteção.
Atuação do Psicogerontologista
Existe aumento considerável de idosos e é preciso apresentar alternativas e intervenções para dar um novo sentido à vida melhorando os relacionamentos e fortalecendo o trabalho de quem cuida dos idosos.
Além de viver mais é preciso viver melhor!
Assim, é fundamental planejar atividades em Psicogerontologia que ampare os idosos com dificuldades funcionais, cognitivas e emocionais com foco nos aspectos positivos do envelhecimento.
O psicólogo pode atuar, de forma autônoma ou integrada em uma equipe, assumindo ações de intervenções visando proteger a saúde mental do idoso ou grupo de idosos promovendo bem-estar, qualidade de vida, autonomia, envelhecimento ativo físico e intelectual, integração social, formação de vínculos afetivos, entre outros cuidados.
Exemplos de intervenções feitas por psicólogos que trabalham com idosos:
- Acolhimento e orientação aos familiares e aos cuidadores, ressaltando a importância da autonomia do idoso; orientando sobre a importância da capacitação dos cuidadores; prevenindo possíveis estressores que possam levá-los à Síndrome de Burnout[1]
- Apoio na formação de cuidadores, instituições ou serviços ligados aos idosos realizando palestras sobre o cuidado humanizado: valor do ser humano; relação de afeto, principais doenças acometidas nesta fase da vida; cuidados paliativos; finitude e luto. Viabilizar planos psicossociais ao idoso e seus cuidadores, favorecendo a reflexão sobre empoderamento, pertencimento, comportamentos, enfrentamento de dificuldades, entre outros fatores.
- Oficinas em grupo ligadas a cognição, relacionamento e estimulação física
- Discussão e implantação de ações de inclusão social do idoso em grupos de encontros com atividades diversas.
Por fim, a Psicogerontologia engloba um conjunto de estudos e técnicas que permitem compreender o processo de envelhecimento a fim de garantir práticas que proporcionem avanços na qualidade de vida, no bem-estar e na assistência às pessoas mais velhas.
Agora que você já sabe o que significa psiogerontologia compartilhe esse artigo para esclarecer mais pessoas!
[1] A síndrome de Burnout é uma reação a um stress que, estendido por muito tempo, causa uma exaustão no trabalho.
por Dra. Marcela Cibien Baratella | maio 5, 2021 | Idosos e Famílias
O novo Coronavírus é uma família de vírus conhecida desde 1960. Sofreu mutação genética e acabou se transformando em algo que ainda não havia sido identificado em humanos.
Transmitido pelo ar e pelo contato próximo com pessoas infectadas, a COVID-19 pode ter sintomas semelhantes ao resfriado, evoluindo para casos graves de insuficiência respiratória aguda.
Inicialmente a COVID-19 foi entendida como uma doença pulmonar. Logo ficou claro, porém, se tratar de uma doença que pode atacar praticamente todos os órgãos e funções do corpo e o coração é um dos órgãos que pode ser afetado pelo vírus.
O vírus pode causar diversos problemas no coração como miocardite (inflamação no músculo cardíaco) causar arritmias cardíacas ou piorar o quadro de pacientes que já tenham esse diagnóstico.
Além disso, pacientes cardiopatas (com problemas no coração) tem mais riscos de complicações e agravamento do quadro clínico, infelizmente, com mais chances de falecimento.
Descritas logo no início da pandemia, as complicações cardiológicas eram consideradas exclusivas dos casos mais graves, dos pacientes com insuficiência respiratória internados nas UTIs (Unidade de Terapia Intensiva).
Essa impressão mudou quando surgiram descrições de mortes súbitas e de arritmias cardíacas em jovens que tiveram COVID-19 assintomática ou com sintomas leves.
Como atua o Coronavírus
Para penetrar as células, o atual Coronavírus utiliza um receptor que existe na membrana celular, presente em diversos órgãos, dentre eles, o músculo do coração, que atinge concentrações elevadas.
Em autópsias, o RNA do vírus é encontrado no fígado, rins, sistema nervoso e, em altas concentrações, nos pulmões e no coração:
- Numa série de 22 autópsias, o RNA viral foi detectado no músculo cardíaco em 16 casos
- Em outra, com 39 casos, 31% dos corações continham o RNA do vírus
O coronavírus lesiona as células do músculo do coração por mecanismos diretos e indiretos. Ao infectar o músculo do coração por ação direta, provoca a morte da célula (necrose celular), levando à desorganização da maquinaria que coordena a contratilidade do músculo.
Por mecanismo indireto, a resposta do sistema imunológico armada para destruir o agressor dispara um processo pró-inflamatório envolvendo glóbulos brancos e plaquetas, com liberação de citocinas (proteínas que causam inflamação). Dessa forma, montada com a melhor das intenções, a resposta imunológica se volta contra o hospedeiro, aumentando a propensão para formar coágulos, que poderão obstruir capilares e os grandes vasos, fenômeno que explica os Infartos Agudos do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVCs) nos mais velhos, mas também em jovens.
Então fique atento aos principais sintomas do comprometimento cardíaco:
- fadiga
- falta de ar aos esforços
- alterações do ritmo das pulsações e dor no peito, que simula infarto
Se perceber algum desses sintomas procure o hospital próximo a você!
por Dra. Monira Samaan Kallás | maio 5, 2021 | Idosos e Famílias
Dra. Débora atendia Sr. João há 16 anos. Ele não era o paciente mais exemplar do mundo no que se refere a auto cuidados em saúde bucal. Fora vítima de uma época em que a Odontologia Preventiva não tinha espaço. Profissionais e pacientes estavam acostumados com extrações dentárias e não tratamentos.
Sr. João, aos seus 48 anos, já usava com uma dentadura superior, comia muitos doces e tinha 14 dentes inferiores restaurados. Ao completar 55 anos começou a se tratar com Dra. Débora e entendeu a importância do autocuidado em saúde bucal. Ela era muito dedicada e sempre explicava como escovar e limpar a dentadura.
Dedicada aos seus pacientes, durante os três primeiros anos de atendimento, semestralmente, Dra. Débora chamava Sr. João ao consultório para um check up. O procedimento era sempre o mesmo: fazia uma bela profilaxia, removia cálculo (tártaro) e elogiava: “parabéns, sem nenhuma cárie ou inflamação, pode voltar daqui a um ano.”
E assim se foram mais 5 anos…
Porém, sr. João, já aos 63 anos, e Débora o acompanhando há oito, ouve um discurso diferente, no retorno ao consultório “- Sr. João, é precisa escovar melhor os dentes, devido ao sangramento gengival, e há dentes moles, o que é novo em nossas consultas. Já perdeu tantos dentes por não escová-los, logo o senhor que sempre foi tão cuidadoso!”
A importância do olhar atento dos dentistas sobre a relação bidirecional entre saúde bucal e doenças no corpo
Sr. João tinha um grande apreço por Débora e não insistiu que estava se cuidando. Conforme solicitado, voltou quinzenalmente e a inflamação não diminuía. Porém, o que Débora nem suspeitava é que, somado ao quadro bucal e à história de grande consumo de doces, o Sr. João estava apresentando alguns sintomas novos: perda de peso, tomava muita água, ía muitas vezes ao banheiro à noite e estava com a visão embaçada, o que já não lhe permitia uma boa higiene bucal. Realmente aparentando ser um caso de saúde bucal e doenças no corpo.
Este foi o start para Débora, que dedicara seus 8 anos de formada à ser uma dentista técnica, acreditando que seus pacientes só tinham boca, começar a pensar diferente
Sr João estava com diabetes, portanto, não era má escovação. A descoberta veio por Cora, uma colega dentista que examinou o Sr. João, colheu sua história e pediu exames laboratoriais para descobrir se a condição bucal nova tinha só causas locais. Os resultados mostraram alteração nos exames do metabolismo do açúcar.
Cora explicou para Débora que, muitas vezes, o dentista é o profissional da área da saúde que está mais próximo do paciente e pode ser muito importante na hora de encaminhá-lo para o médico. Neste caso, conduziu o diagnóstico e o início do tratamento de diabetes.
A partir daí começou uma nova carreira para Débora. Ela estudou, fez cursos para entender as complicações bucais que tem relação com doenças gerais e vice-versa. Viu que todos seus pacientes tinham bocas e corpos associados. Não parou mais! Se apaixonou pela pesquisa e hoje é professora nesta área!
Um segredo… João é uma das pessoas mais importantes da vida de Débora. É seu avô!
por Dr. Marcello Barduco | maio 5, 2021 | Idosos e Famílias
Anticoagulantes e outras drogas muito utilizadas em cardiologia e neurologia costumam causar certa preocupação devido aos seus possíveis efeitos colaterais.
Os anticoagulantes são drogas que têm como efeito reduzir a formação de coágulos sanguíneos.
Essa ação é extremamente desejada para tratamento e prevenção de diversas doenças cardiológicas como arritmias e problemas das válvulas, por exemplo; além de neurológicas como a prevenção de AVC) – acidente vascular cerebral.
Ao mesmo tempo em que reduzimos a tendência de formação de coágulos, típicos dessas situações, aumentamos o risco de sangramento exagerado em eventuais traumatismos, quedas e ferimentos, entre outros.
Mas, afinal, é seguro usarmos essas drogas?
Conhecemos anticoagulantes há muitas décadas e, até recentemente, a varfarina foi a droga mais utilizada. Seu efeito depende da dose ingerida, sua potência varia individualmente e pode sofrer influência de alimentos e outros medicamentos.
Esse fato sempre representou uma dificuldade no seu manejo, porque variações de doses ou hábitos alimentares acarretavam a perda do efeito ou risco de sangramento. O ajuste das doses depende de realização de exames laboratoriais frequentes o que, em muitas ocasiões, pode inviabilizar seu controle, principalmente em grupos mais dependentes, como idosos com limitações funcionais.
Anticoagulantes de ação direta
Nas últimas décadas surgiram os anticoagulantes de ação direta, conhecidos como DOACs (do inglês direct oral anticoagulants). Estas medicações atuam de forma diferente da varfarina no complexo processo da coagulação do sangue, o que os torna menos imprevisíveis quanto ao risco de perda de atividade ou intoxicação.
Um grande avanço na terapia anticoagulante
Pelo menos quatro drogas estão em uso atualmente – dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana. Representam um grande avanço no campo da terapia anticoagulante, pois não necessitam de ajuste de dose frequente, nem controle com exames laboratoriais rotineiros.
Qual o risco de ocorrerem sangramentos?
A terapia anticoagulante é bastante segura, desde que seja bem indicada e acompanhada adequadamente pelo médico.
Pessoas com risco de traumas, como idosos susceptíveis a quedas, devem ser orientadas quanto a cuidados como o uso correto de dispositivos de marcha e a mudança de posição corporal.
Além disso, sabemos que sangramentos que ameaçam a vida são ocorrências raras.
Os DOACs têm antídotos de ação rápida enquanto a varfarina pode ter seu efeito revertido por meio de transfusão de componentes do sangue e vitamina K.
A terapia anticoagulante é, sem dúvida, uma grande aliada no cuidado médico e deve ser realizada sempre sob supervisão especializada para que obtermos melhores resultados.
Caso tenha dúvidas é sempre bom consultar seu médico de confiança.
por Dr. Marcello Barduco | maio 4, 2021 | Idosos e Famílias
Sintoma comum em muitas doenças graves, a dor no peito sempre causa preocupação. Coração, pulmões, trato digestivo e caixa torácica podem ser origem de dor torácica.
Certamente, dependendo da causa, podem significar ameaça à vida com taxa de mortalidade torno dos 5%. As doenças do coração são as primeiras a serem lembradas quando sentimos desconforto no peito:
– Será que é infarto?
A caracterização da dor no peito é muito importante, pois indicará o grau de gravidade, dependendo de alguns aspectos:
- intensidade
- duração
- sintomas associados
- desencadeamento – o que deu início ao quadro
- irradiação
- entre outros
É importante que seja avaliada em conjunto às demais doenças associadas e hábitos como a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, as alterações do colesterol e o tabagismo. O fato de outras pessoas da família já terem apresentado problemas cardíacos no passado também deve ser considerado.
A origem da dor
Mesmo quando o coração é responsável pelo quadro, existem diferentes afecções, com diferentes manifestações, que originam a dor.
A característica mais comum daquela associada à origem isquêmica (que leva ao infarto) é a sensação de aperto ou opressão, difusa, de forte intensidade, que pode irradiar para a região do estômago, costas, ambos braços e mandíbula, associada à falta de ar, sudorese, náuseas, palidez cutânea. `
Sua duração pode definir o diagnóstico de angina (curta duração) ou infarto do miocárdio (mais prolongado) que poderá ser desencadeada por esforços e costuma piorar nestas condições. É importante que estes quadros sejam avaliados imediatamente em serviços de emergência.
O problema é que nem sempre as características são tão marcantes.
Nem sempre o quadro se apresenta de forma clássica…
Em pessoas com problemas neurológicos (demências, AVC) a caracterização pode ser inadequada. O diabetes e até mesmo a idade avançada influenciam a percepção de dor – terminações nervosas menos sensíveis e alterações da coluna atrapalham a percepção clara do que está acontecendo.
Nestas situações a intensidade pode ser bem menor e a manifestação, atípica, chegando mesmo a surgir como leve desconforto. Os sintomas associados devem ser mais valorizados para o diagnóstico adequado.
Outras causas da dor torácica
Uma das causas de dor torácica originada no coração são as mio pericardites – inflamação do coração e da membrana que o envolve (o pericárdio). Este quadro pode ocorrer por infecção viral (até mesmo pelo coronavírus) ou por outras doenças inflamatórias (lúpus eritematoso, por exemplo). Tem como características a dor mais contínua, que varia com a posição do corpo, pode ser associada à febre e, eventualmente, à tosse.
O diagnóstico das mio pericardites e tratamento adequados são fundamentais para evitar sequelas.
A dor torácica é também uma característica das mais frequentes em outras afecções graves que merecem atenção, mas que não envolvem o coração diretamente – embolia pulmonar, pneumotórax e aneurismas de aorta devem sempre ser lembrados – assunto para outra publicação!
Dores no peito devem sempre ser valorizadas e avaliadas por um médico – de preferência que já conheça o paciente e sua história – para ser conduzida adequadamente.
por Dra. Monira Samaan Kallás | maio 4, 2021 | Idosos e Famílias
Prótese dentária, a importância de darmos atenção às funções dos nossos dentes.
Senhora Catarina vivia em uma Instituição de Longa Permanência (ILP*), conhecido como residencial para idosos, há um ano. Por motivos óbvios, como não era alimentada mais por via oral e pela elevada possibilidade de perda de sua prótese dentária (dentadura), estas foram entregues à sua família assim que ela foi admitida.
Apesar de entrar muda e sair calada, a senhora Catarina frequentava todas as atividades sociais do residencial: apresentações de música, aulas de artesanato, festa junina, entre outras.
A partir da observação de uma geriatra de que os residentes poderiam estar broncoaspirando por falta de cuidados bucais, um gestor que realmente se preocupava com as pessoas criou a equipe de odontologia, com fundos e recursos do residencial.
Em sua primeira semana de trabalho, Dr. Reinaldo pediu a prótese dentária da dona Catarina para a família e dividiu com os colegas – fonoaudiólogos e fisioterapeutas – a necessidade de seu uso para a fala adequada, além de manutenção da musculatura da face.
Todos ficaram surpresos ao ouvirem a voz da Sra. Catarina, pela primeira vez. Ela continuou sociabilizando, mas agora, ainda mais participativa: falava, cantava, contava seus casos….
Respondendo à pergunta que deu título a este artigo:
– Dentes, para que os quero?
Para falar e para comer. E, se eu não puder mais fazer isso, os quero sim, meus dentes. Para conversar e para sorrir!
Convido você a ler o artigo Saúde bucal e doenças no corpo, para descobrir através do Sr. João, a importância do olhar atento do dentista sobre a relação da saúde bucal e saúde geral do corpo.
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